Page 299 - Livro Curso Prático do CYPECAD
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                   Na prática, aparecem vigas rasas e vigas altas que, com os vãos de trabalho que possuem, acabam fletindo
            mais que o devido e apresentam uma flexibilidade que o cálculo detecta. A compatibilidade de deformações que
            deve ser cumprido sempre, exceto se romperem as seções ou se plastificarem em excesso, obriga a que, tanto
            vigas como vigotas se desloquem de forma conjunta e solidária, dando lugar a que se desenvolvam comportamentos
            não previsíveis nas lajes de vigotas. E isto não significa que o cálculo esteja mal, mas sim que o nosso modelo com
            uma configuração estrutural inadequado, faz destacar comportamentos fora da prática habitual.

                   Por esta razão, a partir da versão 2002, sempre que apareça nos extremos de uma vigota momento positivo,
            avisa-se de tal circunstância pondo em vermelho as respectivas vigotas. Isto é particularmente importante nas lajes
            de vigota de concreto genéricas (embora se saiba a priori o tipo de vigota) e pré-esforçada, nas quais não se pode,
            a priori, assegurar a ancoragem na borda de apoio da viga. A decisão perante esta circunstância pode ser diferente
            segundo o caso:
                   • Modificar a estrutura, encurtando vãos, aumentando a rigidez da viga.
                   • Articulando as bordas das lajes para que as lajes de vigotas trabalhem como tramos isostáticos.
                   •  Recorrendo  a  vigas  que  sejam  nervuras  in  situ  e  a  armadura  inferior  se  possa  passar,  ancorando  e
            emendando.

                   Em qualquer caso é um passo imprescindível a consulta das envoltórias de esforços nos pórticos de vigotas,
            podendo tomar a decisão de se desprezar esse aviso se o momento positivo for muito pequeno.
            Não esqueça de consultar os diagramas de esforços cortantes, pois daí se deduz a transmissão de cargas das
            vigotas  às  vigas  e,  em  algum  caso,  pode  ser  que  essa  transmissão  seja  escassa  ou  negativa,  tal  como
            mencionamos.

                   Se você se acostumar a rever essas envoltórias, também poderá ver o que acontece quando introduz ações
            horizontais, vento e sismo na estrutura. Se o desenho estrutural se baseia numa malha mais ou menos ortogonal
            de vigas que passam pelos apoios, as vigotas normalmente limitar-se-ão a transmitir cargas verticais às vigas.

                   Se ao contrário, no desenho e na direção dominante das vigotas, não houver tais vigas que as unam aos
            apoios, produz-se uma espécie  de viga-pórtico virtual da ou das vigotas que  passam muito perto do apoio, de
            maneira que suportam esforços horizontais da mesma forma que outros pórticos da estrutura na mesma direção. E
            terá de ser coerente com o modelo, sobretudo quando a alternância de momentos nessas vigotas conduza a fortes
            momentos positivos em apoios, ao que se deve dar uma solução, quer seja armando convenientemente essas
            nervuras (in situ, maciçando e reforçando em positivos, etc.), colocando vigas, ou, se quiser enganar o modelo e
            fazer com que nenhuma vigota passe pelo apoio, introduzindo vigas de bordo não estruturais equivalentes, que
            transmitam as cargas verticais mas que não colaborem na flexão por efeito pórtico.

                   Se mesmo assim você não quiser que as vigotas colaborem, ou que o possam fazer por torção das vigas,
            o adequado seria não introduzir a laje e substituí-la pelas suas supostas reações sobre as vigas através de cargas
            lineares calculadas manualmente, ou se não desejar chegar a tanto, fazer um cálculo em continuidade das lajes
            perante  cargas  verticais  e,  numa  cópia,  fazer  com  que  todos  os  vãos  sejam  isostáticos  articulando  as  bordas
            (coeficiente de engastamento = 0), e evitando como já se mencionou, que haja vigotas que passem pelos apoios, e
            para o caso de vigotas muito próximas desses apoios, introduzir um coeficiente de rigidez à torção em barras curtas
            muito pequeno (0.001) para esse cálculo em particular.

                  Evidentemente que para os resultados teríamos que rever dois cálculos e fazer os retoques manuais que
            cubram ambos os casos. Com tudo isto queremos chamar a atenção sobre o fato de que nem sempre se pode obter
            como resultado algo esperável utilizando outros métodos aproximados, confiando que a bondade desses métodos
            se baseia na simples certeza de que funcionam, quando, em muitos casos, é a ausência das cargas de serviço e a
            utilização de coeficientes parciais de segurança que permitem à estrutura funcionar.

                  E por outro lado queremos chamar a atenção do usuário para que reveja os resultados com as ferramentas
            de que dispõe e analise os mesmos.

            13.3  Introduzindo as lajes Pré-Fabricadas

            Para lançar a laje pré-fabricada, vamos criar a laje com vigota de concreto e a laje in situ, como descrito acima.
            Na tela de introdução de lajes:












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